O que se passa com os nossos alunos (e não só) que não param de usar, por tudo e por nada, a palavra “tipo”?!
«Estou,
tipo, com sono»;
«Apetece-me,
tipo, comer um chocolate…»
Há dias,
deu-me para contar o número de vezes que os alunos de uma das minhas turmas
recorrem ao uso desta palavra em contexto de sala de aula, não porque não
tivesse mais que fazer, mas porque fui movido por mera curiosidade sedutora. Contei-as
durante uma semana e os resultados não me surpreenderam: 92 ocorrências. E até
estou em crer que essa não foi uma das semanas mais férteis nessa matéria.
Perguntei-lhes,
depois, por que razão o fazem e as respostas que obtive foram muito
semelhantes: «Não sei, professor, sai-me!»
Parece-me
claro que estamos perante mais um bordão de fala provocado pela rapidez da
comunicação, uma espécie de muleta linguística a que se recorre, de forma
automatizada, em momentos de hesitação no discurso.
Este
fenómeno também não escapou aos linguistas do utilíssimo “Ciberdúvidas da
língua portuguesa” que concluíram tratar-se de um marcador discursivo,
«unidades linguísticas invariáveis, com alto grau de gramaticalização, que não
desempenham uma função sintática no âmbito da frase, nem contribuem para o
sentido proposicional do discurso, mas que têm uma função relevante na produção
dos atos pragmático-discursivos, estabelecendo conexões entre os enunciados,
organizando-os em blocos, indicando o seu sentido argumentativo, introduzindo
novos temas, mantendo e orientando o contacto do locutor com o interlocutor.»
Tenho
constatado também que esta tendência (ou moda, como queiram) não constitui um
apanágio das idades mais jovens, pois parece-me ter sido já incorporada na
conversação dos falantes adultos, talvez por mero efeito de contágio ou porque
veem nela uma forma de aproximação aos seus filhos, utilizando o “tipo” como
mecanismo de supressão de barreiras intergeracionais.
Bom, agora,
tipo, despeço-me dos meus leitores com, tipo, um abraço.